Sobre respeito, empatia e crueldade.

IMG_9569-2O assunto é da semana passada, mas na verdade é o assunto de todos os dias pra quem é mulher e pode sofrer violência em qualquer ambiente, apenas pelo fato de pertencer a um determinado gênero. Não estou afirmando que homens não são vítimas de violência sexual. Mas aqui estou falando da cultura do estupro, isso, essa mesma que diz que algumas mulheres merecem ser estupradas, a tal culpabilização das vitimas que é o tema principal de todas as marchas das vadias do mundo. E não importa na verdade os números exatos das pessoas que concordam com isso, se são 25% ou 65%. O que o evento “Eu não mereço ser estuprada” repercutiu me pareceu ser muito mais de 65%.

Na minha foto e na diversas mulheres que se manifestaram virtualmente, houve uma enxurrada de comentários malignos, onde no mínimo diziam que deveríamos ser estupradas sim, ou então nos comparavam com prostitutas tentando ofender, ou ainda diziam que ninguém ia querer estuprar, que eramos todas Vadias querendo atenção. Misoginia, opa, misoginia de novo, e olha só! Mais um pouco de misoginia.

O discurso era o mais “Urgh, Durd, Tetas” (repita com voz de homem das cavernas) possível. Era mais do mesmo do que já sabemos, não existe empatia com a mulher. Não existe seriedade nem solidariedade por parte da maioria. O que existe é o extremo da Misoginia. O que existe é um mundo patriarcal que vê na autonomia de uma mulher ao mostrar seu corpo como forma de protesto uma retaliação onde todos dizem em coro: “Você não está se dando ao respeito, vamos violenta-la por isso”.

Mas teve também um lado lindo e que sempre nos arma de forças para continuar, militando. Na minha foto, como na diversas outras mulheres também houve muita sororidade feminista. Teve gente pacientemente tentando explicar o motivo do protesto, gente que em menos de uma frase completa desbancava centenas de comentários machistas. Mulheres que nunca se viram, que nunca se conheceram nem virtualmente, se apoiando, se curtindo, elogiando a coragem, e principalmente, desbancando a falta de argumentação alheia.

O evento ganhou proporções gigantescas, foi parar na TV, no jornal, nas agências de publicidade, no ouvido do governo… E teve gente que veio me dizer que achava meio “sem sentido” protestar daquela maneira. O que eu acho? Que foi perfeito. Denuncias de machistas em massa ocorreram após o evento, todos morrendo pela própria boca. Paginas misóginas sendo retiradas do ar, e muito barulho pra machistinha se retorcer na cadeira com nosso empoderamento e crescimento.

Então fica o meu recado bem claro: Nós não precisamos justificar nossa militância pra você, machista e abusador de plantão. Nós não devemos satisfação de como achamos que precisamos mostrar nosso corpo, não pedimos ou precisamos de sua opinião, porque você é o motivo de agirmos de forma totalmente contrária do que você espera de nós. Nós não temos que “nos dar ao respeito” você é que tem OBRIGAÇÃO de nos respeitar o tempo todo. Será que é tão difícil assim, um mundo de pessoas que acham que ninguém deveria ser estupradx?

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Algo Além…

“A vida é feita de se decepcionar com as pessoas”

Desilusões são arquétipos do que gostaríamos de ser, olhando para o outro.

Apenas acredite em você.

Se torne aquele que gostaria de ser.

Olhe para si, se queira bem, seja alguém melhor, algo além.